GLOSSÁRIO

Os termos da operação de container.

Em português, do jeito que se usa no pátio — não tradução de manual.

Armador

A empresa de navegação dona ou operadora do navio — e, em geral, dona dos containers. É quem concede free time, cobra demurrage e detention, e aprova (ou glosa) orçamentos de reparo.

BL

Bill of Lading, o conhecimento de embarque marítimo. É contrato de transporte, recibo de carga e título de crédito ao mesmo tempo — e é nele que moram o free time e as condições que depois viram cobrança.

Booking

A reserva de praça no navio junto ao armador. Amarra carga, contêiner, navio e viagem — e é a referência que o gate confere na exportação.

Cabotagem

Navegação entre portos do mesmo país. No Brasil, alternativa rodoviária para longas distâncias — com container, praxes e sobre-estadia próprios.

CIF

Cost, Insurance and Freight — o valor da mercadoria somado a seguro e frete. É a base de cálculo típica da armazenagem alfandegada: percentual sobre o CIF por período.

COARRI

Mensagem EDIFACT de reporte de operação de navio: o terminal informa ao armador o que foi descarregado e carregado. É a prestação de contas do cais, como o CODECO é a do gate.

CODECO

Mensagem EDIFACT de reporte de gate: o pátio ou depot informa ao armador cada gate in e gate out — unidade, data, hora, condição e lacre. Na prática, é o EIR em formato de máquina, e precisa bater com ele.

Consignatário

Quem tem o direito de receber a carga no destino — em regra, o importador indicado no BL. É de quem o armador cobra a sobre-estadia, salvo ajuste em contrário.

COPARN

Mensagem EDIFACT de anúncio ou ordem sobre containers: o armador autoriza a liberação de um vazio, manda aceitar uma unidade ou anuncia chegada. É o "vai acontecer" que antecede o movimento físico no gate.

CSC

A Convenção Internacional para Segurança dos Contêineres (1972). Todo container em circulação leva a placa CSC com a data do próximo exame — conferi-la é item de vistoria de gate.

Demurrage

Multa cobrada pelo armador quando o container passa do prazo livre (free time) para devolução vazio no terminal. Conta a partir da descarga.

Depot

Recinto fora do porto que recebe, armazena, vistoria e repara containers — em geral vazios. É onde o vazio é devolvido depois da desova e onde roda o ciclo de M&R.

Desova

O esvaziamento do container — a carga sai, o vazio segue para devolução no depot. O relógio de detention corre até o EIR da devolução.

Despachante aduaneiro

O profissional que conduz o despacho da carga junto à Receita e demais órgãos. Na prática do pátio, é quem corre contra o free time quando o canal não é verde.

Detention

Cobrança pelo tempo em que o container fica em poder do importador fora do terminal, além do prazo acordado. Frequentemente confundida com demurrage.

Dry

O container padrão de carga seca, fechado, de 20 ou 40 pés. É a base do estoque de qualquer pátio — e a referência contra a qual os demais tipos têm regra extra.

DTA

Declaração de Trânsito Aduaneiro: o regime que move carga sob controle aduaneiro entre recintos — do porto para um porto seco, por exemplo — antes do despacho. Ferramenta clássica para escapar de armazenagem cara.

DU-E

Declaração Única de Exportação, do Portal Único de Comércio Exterior. Unificou a antiga dupla DE + RE e amarrou a exportação à nota fiscal eletrônica.

EDI

Electronic Data Interchange — a troca de mensagens padronizadas entre sistemas. No mundo do container, o dialeto dominante é o UN/EDIFACT (COPARN, CODECO, COARRI, DESTIM), com guias mantidos pelo SMDG.

EIR

Equipment Interchange Receipt — o comprovante de vistoria trocado a cada passagem de gate. Registra o estado do container e transfere a responsabilidade por avaria entre as partes.

Estufagem

O carregamento da carga dentro do container (o oposto da desova). Estufagem malfeita é a origem de boa parte das avarias internas e das discussões de responsabilidade.

Flat rack

Container-plataforma, com cabeceiras e sem laterais, para carga fora de padrão. Não aceita peso em cima e tem regra própria de amarração e empilhamento.

Free time

Prazo livre, definido no BL ou em contrato, em que o container pode ficar com a carga ou com o importador sem gerar cobrança. Esgotado o free time, começam a correr demurrage (no terminal) ou detention (fora dele). É prazo negociável e contado por container, não por navio.

Gate in

A entrada do container no recinto, com vistoria e EIR. É onde o pátio aceita responsabilidade — e onde nasce o endereço da unidade no estoque.

Gate out

A saída do container do recinto, com vistoria contra o EIR de entrada e novo EIR. É onde a responsabilidade é devolvida — e onde o relógio de cobrança muda de dono.

High cube

O container de 40 pés com cerca de 30 cm a mais de altura (9'6"). Mesma base, mais volume — e atenção extra à altura total da pilha e ao vão do equipamento.

IMO

No jargão de pátio, "carga IMO" é a carga perigosa classificada pelo código marítimo IMDG. Exige área designada e segregação por classe — no porto brasileiro, conforme o Anexo IX da NR-29 — mesmo em armazenagem transitória.

Lacre

O selo numerado que fecha o container. Conferido e registrado a cada passagem de gate; divergência de lacre é reserva obrigatória no EIR e questão de integridade da carga, não detalhe.

Laudo de avaria

O documento que localiza a avaria no tempo (entre quais EIRs), mede a extensão, classifica a causa e fundamenta o custo — com fotos vinculadas à unidade. É a peça que decide quem paga o reparo.

M&R

Maintenance and Repair — o ciclo de vistoria, orçamento, aprovação do dono do equipamento e reparo que devolve um container avariado ao estoque útil. Nada é reparado sem aprovação prévia; o orçamento segue critério IICL ou CW conforme o contrato.

Open top

Container de teto aberto, fechado por lona, para carga que excede a altura ou exige carregamento por cima. Não recebe peso em cima na pilha.

Porto seco

Recinto alfandegado de interior que recebe carga sob regime aduaneiro (via DTA, por exemplo). Alternativa de armazenagem ao terminal de porto — muitas vezes com tabela mais amiga.

Reach stacker

O guindaste móvel de braço telescópico que domina o pátio retroportuário: empilha, remove e carrega caminhão. Seu alcance define, na prática, a altura e a profundidade úteis das pilhas.

Reefer

Container refrigerado. No pátio exige zona própria junto às tomadas, com monitoração de energia e temperatura — reefer desligado por posição errada é sinistro de carga.

Remoção improdutiva

Movimento de máquina para mexer em container que ninguém pediu, só para alcançar o que foi pedido. É a métrica central de produtividade do pátio: remoções por retirada perto de zero indicam pilhas montadas pela ordem de saída.

RTG

Rubber Tyred Gantry — o pórtico sobre pneus que cavalga a pilha nos terminais de maior densidade. Alcança pilhas mais altas e profundas que o reach stacker, ao custo de exigir quadras desenhadas para ele.

Tara

O peso do container vazio, pintado na porta. Base do método do somatório no VGM e dado de vistoria — plaqueta ilegível é problema documentado, não detalhe estético.

TEU

Twenty-foot Equivalent Unit — a unidade de medida do setor: um container de 20 pés equivale a 1 TEU; um de 40, a 2. Movimentação de porto e capacidade de navio se medem em TEU.

TOS

Terminal Operating System — a categoria de sistema que opera terminal portuário de cais: navio, berço, guindaste e pilha de grande escala. Não confundir com sistema de pátio retroportuário: são problemas diferentes.

Transbordo

A transferência da carga (ou do container) de um navio para outro no meio do caminho, num porto-hub. Para o importador, é escala invisível que alonga o prazo; para o porto, é o que multiplica movimentação.

VGM

Verified Gross Mass — a massa bruta verificada, obrigatória desde julho de 2016 pela convenção SOLAS. Sem VGM informado, o container não embarca: pesa-se o cheio ou soma-se carga, peação e tara.