EDI com armador: COPARN, CODECO e COARRI na prática

ediarmadorintegracao

Terminal de contêineres à noite com portêineres iluminados carregando navio e rastros de luz de caminhão na via de acesso

Todo contêiner que passa pelo seu gate pertence a alguém — e esse alguém quer saber, sem telefonema, o que aconteceu com ele. EDI é como armadores, depots e terminais conversam: mensagens padronizadas (UN/EDIFACT) que anunciam, ordenam e reportam cada movimento do equipamento. Três delas carregam o grosso da rotina de pátio — COPARN, CODECO e COARRI — e entender quem envia o quê é a diferença entre ser um depot credenciado e ser uma planilha que o armador tolera.

Quem manda o quê

Mensagem Direção O que carrega Gatilho
COPARN Armador/agente → pátio Ordem ou anúncio: liberar vazio, aceitar unidade, chegada prevista Antes do movimento
CODECO Pátio/depot → armador Reporte de gate in / gate out: unidade, data-hora, condição, lacre Depois da passagem de gate
COARRI Terminal de cais → armador Reporte de operação de navio: descarregado / carregado Depois da operação de cais
Diagrama de sequência entre armador e pátio: o COPARN vai do armador ao pátio como ordem ou anúncio; o gate acontece com EIR; o CODECO volta reportando a passagem; o COARRI reporta a operação de navio; o DESTIM cobre o ciclo de reparo
As três conversas do contêiner — e o fato físico (gate + EIR) no meio delas

O mesmo fluxo, em uma frase por mensagem: o COPARN diz o que vai acontecer ("libere", "aceite", "vai chegar"); o gate acontece no mundo físico, com EIR; o CODECO conta ao armador o que aconteceu; e o COARRI faz o mesmo para a operação de navio, no terminal de cais. No ciclo de reparo, o orçamento viaja pelo mesmo trilho como DESTIM — detalhado no artigo de M&R.

A regra de ouro: o CODECO é o EIR em formato de máquina

O CODECO não é um relatório à parte — é a versão eletrônica do que o gate registrou. As consequências práticas:

  1. Data e hora do CODECO = data e hora do EIR. Divergência entre os dois é a primeira coisa que uma auditoria de sobre-estadia encontra — e destrói a contestação, como visto no artigo de demurrage.
  2. Número da unidade validado na origem — o dígito verificador ISO 6346 conferido na digitação evita reportar movimento de contêiner que não existe.
  3. Enviado no ritmo do gate, não no fechamento — CODECO em lote no fim do dia significa que, durante o dia inteiro, o armador enxergou um estoque que já não era verdade.

O que muda para um depot que fala EDI

  • Credenciamento: armadores e leasings preferem (e às vezes exigem) depots integrados — a fila de e-mails com planilha anexa não escala e não audita.
  • Estadia defensável: com CODECO sistemático, a discussão de datas com o armador começa com o seu registro, não com o dele.
  • Menos redigitação: o COPARN que entra vira pré-cadastro do gate — a unidade chega anunciada, o operador confere em vez de digitar.
  • Os guias de implementação por armador seguem os padrões do SMDG, o grupo que mantém as diretrizes das mensagens de contêiner — cada armador tem seu "dialeto", mas a gramática é comum.

Onde a integração costuma falhar

  1. Unidade sem COPARN no gate — chegou sem anúncio: aceitar e reportar, ou reter? A regra precisa existir antes do primeiro caso, não durante.
  2. Dialeto tratado como padrão — o CODECO que o armador A aceita pode ser rejeitado pelo armador B por um qualificador; implementar "EDIFACT genérico" sem o guia do armador é retrabalho garantido.
  3. Rejeição silenciosa — mensagem enviada e rejeitada sem ninguém monitorar o retorno; semanas depois, o estoque do armador e o seu contam histórias diferentes.
  4. Relógio dessincronizado — servidor com hora errada gera CODECO "do futuro" ou "do passado"; a fonte de hora única que vale para o EIR vale para o EDI.

Perguntas frequentes

Depot pequeno precisa disso?

Se opera contêiner de armador ou leasing, mais cedo ou mais tarde o EDI vira condição do contrato — e o custo de entrar é muito menor do que o de ficar de fora quando o cliente exigir. O tamanho do pátio importa menos que o dono do equipamento.

EDIFACT não é tecnologia velha?

É antiga e é o padrão vigente — as mensagens de contêiner rodam a indústria há décadas e seguem mantidas (os guias do SMDG são atualizados regularmente). Padrões novos de API convivem com o EDIFACT, não o substituíram na prática dos armadores.

O que é preciso para começar?

Três coisas: o guia de implementação do armador (o "dialeto"), um canal de troca acordado com ele e — a parte que ninguém terceiriza — um gate disciplinado, porque o EDI só transmite o que o registro físico produziu. Integração em cima de gate bagunçado é bagunça em formato padronizado.

COPARN, CODECO e COARRI cobrem tudo?

Cobrem o movimento do equipamento. Reparo tem a própria conversa (DESTIM), estoque e prévias de navio têm outras mensagens da mesma família — mas quem domina essas três resolve o dia a dia do pátio.


EDI não é projeto de TI — é a formalização eletrônica de uma operação que já precisa ser disciplinada no físico. O pátio que tem gate com EIR confiável liga o EDI e vira parceiro auditável do armador; o que não tem, descobre que integrou a desorganização.