Gate in e gate out: o EIR e o que registrar

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Vistoriador de colete e capacete confere contêiner laranja sobre caminhão na cancela do gate ao pôr do sol

O EIREquipment Interchange Receipt — é o documento trocado em cada passagem de gate: registra a identificação do contêiner, o lacre, o estado do equipamento e a data e hora exatas da passagem. É ele que transfere a responsabilidade por avaria de uma parte para a outra naquele instante — e é ele que desliga (ou deixa ligado) o relógio de demurrage e detention. Gate sem EIR bem feito não é portaria: é assinatura em branco.

O que acontece no gate in

Na entrada, o pátio está aceitando responsabilidade. Antes do EIR assinado, quatro conferências:

  1. Identificação — o código do contêiner segue a norma ISO 6346: prefixo de 4 letras (as 3 primeiras identificam o proprietário no registro do BIC, a 4ª é a categoria — quase sempre "U" de unidade de carga), 6 dígitos e 1 dígito verificador. Se o dígito verificador não bate, a digitação está errada — e todo o histórico daquela unidade nasce contaminado.
  2. Lacre — número conferido contra o documento de transporte; divergência de lacre é reserva obrigatória, não observação de rodapé.
  3. Placa CSC — a placa de segurança exigida pela Convenção Internacional para Segurança dos Contêineres (CSC, 1972), com a data do próximo exame; contêiner com CSC vencida é problema do dono, desde que você registre na entrada.
  4. Avarias visíveis, por face, com foto — teto, piso, laterais, portas, cantoneiras. Cada avaria vira reserva escrita no EIR; "recebido em boas condições" sem vistoria é a frase mais cara do pátio.

O que acontece no gate out

Na saída, o movimento é o espelho: o pátio está devolvendo responsabilidade. Conferência da ordem de entrega (booking/BL), vistoria do estado atual contra o EIR de entrada, lacre novo se houve estufagem/desova, e o EIR de saída assinado com data e hora. O que estiver avariado e não estava na entrada é do pátio; o que já estava, precisa estar escrito — senão vira discussão, e discussão sem documento se resolve contra quem opera.

Fluxo em duas linhas: no gate in, chegada, conferência de lacre, placa CSC e avarias, EIR de entrada assinado e posição no pátio; no gate out, ordem de entrega, vistoria contra o EIR de entrada, EIR de saída e liberação
As duas passagens de gate: o EIR é o único registro que as duas pontas assinam

O que o EIR precisa registrar

Campo Por que importa
Nº do contêiner (ISO 6346, com dígito conferido) Identidade única — histórico e disputa dependem dele
Data e hora da passagem É o que desliga demurrage/detention e define turnos de responsabilidade
Nº do lacre (e divergências) Integridade da carga; base de seguro
Estado por face + reservas escritas A prova da avaria pré-existente
Placa CSC / próxima inspeção Aptidão do equipamento
Transportadora, motorista, placa Quem estava com o equipamento em cada trecho
Booking / BL vinculado Amarra o movimento ao contrato certo
Assinatura das duas partes Sem as duas, não transfere nada

Por que o EIR decide disputas

Três situações em que o papel (ou o registro digital) vale mais que qualquer argumento:

  • Avaria descoberta semanas depois. O armador cobra o reparo; a única defesa é a reserva escrita no EIR de entrada com foto vinculada (como montar essa prova). Sem reserva, a avaria "aconteceu no seu pátio" — por definição.
  • Contagem de sobre-estadia. A fatura do armador vem com as datas dele; o EIR de devolução com data e hora é o que sustenta a contestação (como mostramos no artigo de demurrage).
  • Lacre divergente na entrega. Se a divergência não foi registrada no gate in, a suspeita de violação corre contra o recinto — com a carga inteira em discussão, não só o equipamento.

Onde o pátio erra

O padrão dos casos que chegam até nós desde 2012:

  1. EIR genérico — "recebido em boas condições" impresso de fábrica, vistoria nenhuma. Vale como confissão futura.
  2. Foto sem vínculo — existe a foto da avaria, mas em um celular, sem ligação com o número do EIR; na disputa, não prova quando foi tirada nem de qual passagem.
  3. Hora do sistema ≠ hora do papel — o EIR diz 14h, o sistema registra 17h; a contestação de demurrage morre na primeira divergência interna.
  4. Reserva que o motorista "não deixou" escrever — a pressão do gate vence o registro; a avaria fica sem dono até achar o dono errado.

Checklist mínimo do gate

  1. Dígito verificador ISO 6346 conferido automaticamente na digitação (não no olho).
  2. Vistoria por face com foto vinculada ao EIR (número + data/hora embutidos no registro).
  3. Reserva escrita para TODA divergência — lacre, avaria, CSC vencida — antes da assinatura.
  4. Uma única fonte de hora (a do sistema) impressa no EIR.
  5. EIR de saída sempre confrontado com o de entrada da mesma unidade.

Perguntas frequentes

EIR é exigido por lei?

Não é lei — é praxe contratual universal do transporte de contêineres. Mas é o documento que armadores, seguradoras e tribunais aceitam como prova da condição do equipamento em cada passagem. Na prática, funciona como se fosse obrigatório.

Quem assina o EIR?

As duas pontas da passagem: quem entrega e quem recebe (motorista/transportadora e o recinto, tipicamente). Assinatura de um lado só transfere pouco — a força do documento está no aceite mútuo.

EIR digital vale?

Vale — e costuma valer mais, porque carrega data e hora do sistema, foto vinculada e trilha de quem registrou. O que importa é o conteúdo (identificação, estado, reservas, aceite das partes), não o papel.

E se o motorista recusar a reserva?

A reserva não depende de concordância: registre o fato, a recusa e a evidência (foto). EIR não é negociação de opinião — é retrato do estado do equipamento naquele momento.


Gate é onde a responsabilidade troca de mãos — e o EIR é o único documento que prova em que estado ela trocou. Vistoria disciplinada de entrada e saída custa dois minutos por caminhão; a ausência dela custa o reparo, a sobre-estadia e a discussão que se resolve sempre contra quem não registrou.